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quinta-feira, 21 de abril de 2011

Alexandria


127 minutos.
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            No final do quarto século de nossa era uma mulher é filósofa e professora em Alexandria, no Egito.  Seu nome é Hipátia.   Ela é amada por um de seus alunos, Orestes, que mais tarde se tornará prefeito, e por seu escravo Davus, que após libertado, irá se unir aos cristãos, mais por rancor e rejeição aos deuses pagãos do que propriamente por aceitação a Cristo. 
  A cidade e sua famosa biblioteca são praticamente o centro do conhecimento da época.  No entanto, além das paredes da biblioteca a cidade vive um conflito religioso.  O Cristianismo, antes perseguido, passou a ser “tolerado” por força de lei.  Um conflito aberto agora se faz.  Os cristãos atacam a religião pagã e seus inúmeros e tradicionais deuses.  O conflito vai das palavras à ação e uma guerra civil se estabelece, com os cristãos cercando a biblioteca.  Esta é saqueada e dominada por estes.   Os cristãos passam a dominar a cidade e os perseguidos passam a perseguir, proibindo os cultos aos deuses pagãos.   Mas anos depois outro conflito vai se iniciar, desta vez contra os judeus (vale lembrar que apesar de Cristo ser judeu, estes não o aceitaram como o Messias prometido).
Em meio a toda essa confusão, Hipátia está mais preocupada é com o movimento dos astros, tentando compreender a órbita da Terra.  Mas inevitavelmente acaba se envolvendo nas questões políticas e por isso atacada pelos cristãos – que passam a considerá-la uma bruxa.
           
            O filme tem um roteiro muito bem escrito e uma ótima produção.  E acaba levantando questões interessantes.
            Primeiro, o quanto a religião é usada como ferramenta de poder.  No filme vemos políticos se convertendo ao cristianismo após esta se tornar religião oficial.  E vemos líderes cristãos usando seu posto com ambições políticas. 
            Segundo, o papel da mulher nesta sociedade.  Para os cristãos a mulher tinha que se calar perante o homem.  E Hipátia era uma mulher ativa, muito a frente de seu tempo.
            Terceiro, o conflito religião versus conhecimento, como se este fosse uma afronta ao Senhor. 

            É um filme bom de se ver como entretenimento e melhor ainda como instigador dessas questões nada ultrapassadas – infelizmente.